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Brasil: ainda é cedo para sustentar uma taxa de crescimento asiática.
Não pairam dúvidas de que a economia brasileira
segue crescendo em ritmo forte e que o PIB atingirá algo em torno de 6% em 2010. Será uma taxa de crescimento invejável e
comparável à de países asiáticos. Quando examinamos esse desempenho em uma perspectiva histórica, nos damos conta que será o dobro do crescimento médio brasileiro dos últimos 15 anos. Sabemos que o Brasil melhorou bastante na última década e meia e que “mudanças silenciosas”, decorrentes do amadurecimento macroeconômico e institucionalocorridas nesse período, permitem hoje que o País esteja menos sujeito a solavancos como no passado.
Contudo, por mais construtiva que seja a nossa visão em relação às perspectivas da economia brasileira, não podemos nos iludir quanto à efetiva capacidade de crescer de forma sustentada no patamar de 6% ao ano. Possibilidades existem de que alcancemos um dia taxas de expansão tão notáveis como esta, mas consideramos que há muito trabalho a ser feito em termos de reformas estruturais e de avanços na infraestrutura, na educação e, sobretudo, no plano dos fatores que afetam os custos de produção e de investimentos.
Neste ano de 2010, a demanda doméstica crescerá quase 9% e a oferta (o PIB), como foi mencionado, crescerá em torno de 6%. Um dia, possivelmente, esse descompasso será menor, mas isso requer esforços tanto no sentido de estimular o lado da oferta como, por vezes, calibrar um pouco o ritmo de expansão da demanda. Considerando que as reformas favorecendo o lado de quem produz são sempre lentas e, como a demanda no Brasil seguirá crescendo a um ritmo robusto, _ comandado pelas intensas políticas públicas e pela melhoracontínua na distribuição de renda _ algum tipo de ajuste precisará ser feito para evitar o agravamento do desequilíbrio histórico em relação ao ritmo de expansão da oferta, o que pode gerar pressões inflacionárias.
Acreditamos que o PIB potencial do Brasil tenha aumentado por várias razões relacionadas à menor percepção de risco-país, menores incertezas políticas, uma leitura generosa que o mundo faz do nosso País atraindo novos players em praticamente todos os setores e, sobretudo, devido a anos de amadurecimento macroeconômico. Estamos convictos de que a taxa de investimento irá surpreender em 2010, podendo registrar um percentual bem acima de 20% de crescimento. Esses investimentos, caso se sustentem, se transformarão em expansão de capacidade produtiva, estreitando o descompasso hoje existente entre oferta e demanda. No curto prazo, não podemos deixar de lembrar que investimento é demanda por bens e serviços e, portanto, pode gerar pressões inflacionárias indesejáveis. Paralelamente, o déficit externo brasileiro Crescente (já sendo o terceiro maior do mundo), se revela emblemático do momento que o País atravessa.
* Diretor de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco.
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InflaçãoTrabalhamos com 4,9% em 2010, apesar do aumento de juros.
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CâmbioTrabalhamos agora com R$1,85/US$, porque o Dólar se fortalece no mundo.
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Economia MundialRecuperação mundial é lenta porém consistente.
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JurosSerão aumentados em breve, devendo chegar a 11,75% ao final do ano.
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