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por Octavio de Barros* Economia brasileira mantém bom ritmo de crescimento, porém mais equilibrado.Contra números não há argumentos. Os dados correntes sugerem que a atividade econômica no Brasil caminha para um crescimento menos incendiário do que foram o quarto trimestre de 2009 e o primeiro deste ano. Algo mais equilibrado, onde a tradicional boca de jacaré entre a demanda e a oferta se mostra bem menos aberta. Em outras palavras, para alegria de consumidores e empresários, a demanda cresce em ritmo firme e superior ao do PIB, mas de forma mais moderada do que antes, enquanto a oferta se expande mais velozmente, graças a fatores cumulativos de longo prazo que não são facilmente capturados nas estatísticas correntes. Há muitas hipóteses por detrás da tese de que o crescimento brasileiro tende a ser mais equilibrado daqui para frente e, portanto, de que suscite menores pressões inflacionárias e movimentos menos intensos de aperto da política monetária. A mais plausível nos parece a de que a comunidade empresarial, mesmo sem perder o entusiasmo, se deu conta que o ritmo chinês de crescimento brasileiro que se observava até o final do primeiro trimestre e início do segundo não servia de referência para o ano como um todo. Desde meados do ano passado, o posicionamento estratégico das empresas se dava como se fizéssemos parte do continente asiático. Subitamente caiu a ficha de que não estamos na Ásia, apesar dos fortes vínculos com a China (maior parceiro comercial do Brasil). As incertezas globais e a remoção – talvez subestimada por muitos – de vários estímulos econômicos domésticos foram a senha para esse reconhecimento. Além disso, ainda na busca por hipóteses para explicar a tese de maior crescimento da oferta e menor pressão inflacionária, nãopodemos desprezar o papel que o BNDES exerceu e vem exercendo - direta e indiretamente - via bancos comerciais na expansão dos investimentos de forma generalizada, independentemente de qualquer polêmica que se faça em relação a esse tema. Os investimentos estão maturando mais rápido porque muitos deles já estavam em curso na fase pré-crise global. A mais acirrada competição em praticamente todos os setores também trouxe elementos novos do lado da oferta. Também é fato que o Brasil tem sido beneficiado pela crise global (capitais líquidos sem grandes alternativas atraentes de alocação) e está experimentando um ciclo eleitoral maduro, no qual o mercado não identifica grandes alterações de rota com quem quer que venha a ser o vitorioso no pleito de outubro. Exacerba-se assim uma visão construtiva de um país de baixos riscos e excepcionais perspectivas. Complementarmente, a economia global atravessa aquele momento que poderíamos classificar como de “estagnação benigna”, ou seja, não gera incertezas adicionais e tampouco é um cenário demasiadamente adverso para os negócios. Em certa medida, o ambiente global está ajudando a temperar pressões inflacionárias internas (demanda externa fraca e preços de commodities estabilizados) e indicando que a China, eterna e voraz consumidora de produtos básicos nacionais, fez uma opção por um crescimento mais sadio (desaceleração sem crise), mitigando o risco de formação de bolhas de ativos ou de sobreinvestimento. Em resumo, depois da euforia e de alguma ressaca, estamos retomando o crescimento em bases mais sóbrias. * Diretor de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco. |
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