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Commodities: meu bem, meu mal
O mundo atravessa o maior choque de commodities da história. Não se trata de apenas uma ou duas commodities, mas praticamente todas as commodities tanto agrícolas como metálicas registram aumentos expressivos, gerando o maior ciclo inflacionário dos últimos anos. Não bastasse isso, o choque do petróleo atual supera largamente aquele do final dos anos 70, afetando os custos dos transportes e de todos os derivados do petróleo provocando estragos importantes, como no custo dos fertilizantes.
Vários bancos centrais tratam esse fenômeno como um “choque de oferta” e acomodam suas políticas monetárias na expectativa de que se seja algo temporário e de que a meta de inflação possa ser perseguida em um horizonte mais dilatado. Outros países, com atividade interna muito aquecida, se preocupam mais, na medida em que as chances são muito maiores desse choque de oferta se propagar para os demais preços da economia. É o caso do Brasil. Por mais confiança que se tenha no ciclo de investimentos e na expansão da oferta, há riscos inflacionários importantes que precisam ser debelados. Além disso, considero que o atual choque de commodities é duradouro, mesmo sabendo que um dia, bem mais adiante, terminará.
É incrível, o Brasil, sendo o país do planeta com a maior diversidade de commodities, se beneficiou com a subida de preços desses produtos. As relações de troca (crescimento dos preços de exportação em relação ao dos preços de importação) foram tão favoráveis ao Brasil que geraram uma renda extraordinária que poderia ser comparada a uma “mega-sena acumulada”. O Brasil e muitos outros países emergentes produtores de commodities ganharam na loteria. Uns, como o Brasil, usaram muito bem o prêmio e outros jogaram no lixo o bilhete premiado, como foi o caso da Argentina e da Venezuela. Alguém se lembra quanto estava o preço do petróleo quando o Hugo Chaves assumiu o poder na Venezuela? Pois é: US$ 9,68 por barril em 11 de fevereiro de 1999. Com o prêmio de loteria o Brasil investiu no social e aproveitou para fazer umas compras: “comprou” a dívida externa, “comprou” a sensação térmica agradável de um país com maior renda, “comprou” a expansão do crédito bancário, e, até mesmo, “comprou” o grau de investimento. Muito bom que tenha sido assim.
Agora, como um efeito bumerangue, esse aumento de preços de commodities se volta contra todos os países emergentes sob a forma de inflação e a pergunta mais relevante é se o Banco Central está certo ou errado em aumentar o tom e as taxas de juros. Na nossa visão, o Banco Central está fazendo o que se espera dele. Como um elemento crucial de previsibilidade (e não o contrário), o Banco Central procura atuar sobre as expectativas dos formadores de preços e de salários no momento em que há um verdadeiro furor remarcatório no Brasil. Vai afetar os investimentos? Na minha visão, apenas residualmente. O ciclo de investimentos é difuso e de grande envergadura. É hora de confiar no bom-senso e não tentar reinventar a roda com políticas econômicas “criativas”. O BC precisa atuar, para que a inflação de 2009 se mantenha próxima da meta de 4,5%. O PIB brasileiro se manterá acima de 4% de crescimento no ano que vem.
Octavio de Barros - Diretor de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco
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JurosConsideramos que as taxas possam chegar a 13,75% no final de 2008, com queda em 2009.
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CâmbioNosso câmbio de final de ano continua em R$ 1,75/US$, mas nosso viés é de baixa.
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InflaçãoEsperamos 5,3% para 2008 e 4,7% para 2009.
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