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O desafio brasileiro de lidar com o sucesso
O Brasil, eleito pelo voto popular dos investidores do mundo
como o país que se descolou na pós-crise, está diante do inesperado: o sucesso.
Em tese, estamos com céu de brigadeiro, mas navegamos em mares nunca dantes navegados.
Achamos tudo isso muito estranho e exibimos um certo mau jeito diante do sucesso.
Como lidar com o sucesso? Entendemos mesmo é de crise. Foram tantas que tiramos
de letra quando elas aparecem.Diante da emergência, nunca piscamos: fazemos o que precisa ser feito,
qualquer que seja o governo. Agora, em um momento quando tudo parece caminhar muito bem, somos meio “pernas de pau”.
Por vezes não sabemos como reagir diante do inusitado. Chegamos ao paradoxo de nos perguntarmos se mantemos o rumo
ou se mudamos tudo na política econômica.
As razões para essa superação rápida da crise são várias, porém
a mais importante foram os 15 anos consecutivos de maior amadurecimento macroeconômico.
Estamos falando de um processo cumulativo graças à continuidade de uma única direção de gestão macroeconômica vencedora.
As medidas tempestivas tomadas pelo Banco Central e pelo governo ajudaram a mitigar os impactos da crise,
mas teriam tido modesta importância caso os fundamentos não estivessem bem assentados.
Isto é resultado de anos de amadurecimento econômico e político. Liquidamente,
acertamos mais do que erramos nestes 15 anos. Por isso, os fluxos de capitais abundam.
Há uma expectativa de que uma economia mais previsível, mais disciplinada,
e ambientada por uma democracia considerada uma das melhores do mundo emergente,
possa ser um porto seguro para capitais que tenham perspectivas de longo prazo.
A vitória para abrigar os Jogos Olímpicos de 2016 não foi por acaso.
Traduz esse processo cumulativo de anos de amadurecimento e, portanto,
o novo papel econômico e geopolítico do Brasil. É o mundo identificando
um novo jogador global de peso.
Porém sabemos que o sucesso tem efeitos colaterais. Primeiramente, temos que reconhecer que esse crescimento requer financiamento. E ele tende a ser majoritariamente externo. Prevemos um déficit externo de quase US$ 65,0 bilhões, equivalentes a 3,2% do PIB.
Não podemos nos iludir, o Brasil ainda não aprendeu a poupar (o
setor público “despoupa” e a mobilidade social intensa não incentiva
as famílias a pouparem). Não temos como bancar esse crescimento
sem incorrer em mega déficits nas contas externas. Isto significa
que, como mera consequência, a taxa de câmbio tende a se manter
apreciada. Neste capítulo não há mágica. Ainda que achemos que
o Brasil terá como financiar esses déficits por um bom tempo, não é
demais lembrar que “momentos mágicos” são transitórios.
Precisamos fortalecer nossa capacidade doméstica de financiamento do futuro.
Seria prudente que tivéssemos distância em relação ao momento exuberante para
não nos esquecermos da gigantesca agenda nacional de reformas que poderá,
a médio e longo prazo, fazer com que o Brasil possa registrar taxas de
crescimento de 6% sem depender apenas de “momentos mágicos”.
* Diretor de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco.
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InflaçãoPressões inflacionárias aparecerão em 2010
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CâmbioO viés é de valorização porque Brasil cresce mais do que outros países.
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PIB Todos se surpreenderão com os investimentos que crescerão quase 20% em 2010.
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JurosAperto monetário será iniciado no segundo trimestre de 2010.
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